Uma resenha crítica tem quatro partes: a identificação da obra, um resumo curto, a sua análise com argumentos e uma conclusão com recomendação. O resumo mostra o que a obra diz, a análise mostra o que você acha dela e por quê. Quem faz só a primeira metade entrega um resumo, e quem faz só a segunda entrega uma opinião sem base. A nota vem do equilíbrio entre as duas.
Abaixo você encontra a diferença entre resenha, resumo e fichamento, a estrutura parte por parte, o passo a passo completo, três jeitos de começar o texto, frases para a análise e um exemplo pronto para copiar a forma.
O que é uma resenha crítica
Resenha crítica é um texto que apresenta uma obra e a avalia com argumentos. A obra pode ser um livro, um artigo científico, um capítulo, um filme, uma peça ou um documentário. Quem lê a sua resenha precisa sair sabendo duas coisas: do que a obra trata e se ela vale a leitura, com razões que se possam conferir.
Por isso ela mistura dois tipos de texto. Na parte descritiva você é neutro e fiel ao autor. Na parte crítica você se posiciona, mas sempre apontando o trecho, o dado ou a escolha da obra que sustenta o que diz. "Gostei" ou "achei fraco" não é crítica. "O terceiro capítulo repete o argumento do segundo sem acrescentar dados" é.
Resenha crítica, resumo e fichamento: qual a diferença
São três tarefas que se confundem, e cada uma pede um texto diferente.
| Resumo | Fichamento | Resenha crítica | |
|---|---|---|---|
| Objetivo | Condensar o que a obra diz | Registrar ideias e citações com a página | Descrever e avaliar a obra |
| Sua opinião | Não entra | Só em comentários marcados | É o centro do texto |
| Formato | Texto corrido, curto | Ficha com referência e páginas | Texto corrido com 4 partes |
| Para que serve | Entender e lembrar | Base para pesquisa e citação | Mostrar leitura crítica e argumentação |
Na prática, o resumo é uma das partes da resenha, e o fichamento é o que você faz antes de escrevê-la. Se precisar treinar as duas etapas anteriores, o guia como fazer um resumo cobre a síntese e o guia como fazer fichamento mostra como anotar citações com a página, o que facilita muito na hora de embasar a crítica.
Estrutura de uma resenha crítica
A estrutura que a maioria dos professores espera tem quatro partes. A proporção abaixo é uma referência, não uma regra: ajuste ao limite de páginas da tarefa.
| Parte | O que entra | Proporção aproximada |
|---|---|---|
| Identificação | Referência completa da obra, e às vezes um título para a resenha | 2 a 3 linhas |
| Introdução e resumo | Quem é o autor, de que trata a obra, qual é a tese e como ela se organiza | 30 a 40% |
| Análise crítica | Pontos fortes, pontos fracos, método, linguagem e diálogo com outras obras | 40 a 50% |
| Conclusão | Balanço, contribuição da obra e para quem ela serve | 10 a 15% |
Identificação da obra
Escreva a referência completa no padrão da ABNT: sobrenome do autor em maiúsculas, título em destaque, edição, cidade, editora e ano. Para livros, acrescente o número de páginas. A norma que trata de resumos e resenhas é a NBR 6028, e a referência segue a NBR 6023. Muitas faculdades têm um manual próprio de trabalhos, e ele vale mais do que qualquer modelo da internet.
Introdução e resumo
Apresente o autor em uma frase, só se isso ajudar a entender a obra. Depois diga o tema, a tese e como o texto está organizado. Esta parte é descritiva: nada de adjetivos como "excelente" ou "confuso" aqui. Evite contar o final de obras de ficção.
Análise crítica
É a parte que mais pesa na nota. Escolha de dois a quatro critérios e avalie cada um com um exemplo da própria obra. Critérios que funcionam quase sempre:
- A tese é clara e os argumentos a sustentam?
- Os dados e as fontes são atuais e adequados ao tema?
- A organização ajuda o leitor ou o texto se repete e se perde?
- A linguagem combina com o público a que o texto se destina?
- Como a obra se compara a outros autores da mesma área?
Dê o pró e o contra. Uma resenha só de elogios parece propaganda, e uma só de ataques parece má vontade.
Conclusão
Feche com um balanço de uma ou duas frases sobre a contribuição da obra, e diga a quem ela serve: iniciantes na área, pesquisadores, quem prepara certa prova. Não traga ideias novas aqui.
Como fazer uma resenha crítica passo a passo
- Leia o enunciado. Confira o tipo de obra, o limite de páginas, se há roteiro e qual norma seguir. Um professor que pede "resenha" e outro que pede "resenha crítica" podem querer coisas diferentes.
- Faça a primeira leitura inteira, sem anotar. Em um artigo, comece pelo resumo e pela conclusão. O objetivo é entender a tese.
- Releia anotando. Marque a tese, os argumentos, os exemplos e os trechos que você achou fortes ou fracos, sempre com a página. Marque pouco: se tudo está grifado, nada se destaca. O verbete leitura ativa explica como ler fazendo perguntas ao texto.
- Escreva em uma frase a tese da obra. Se não consegue, volte à leitura. É o teste mais rápido de compreensão.
- Defina seus critérios e sua posição. Antes de escrever, decida em uma frase o que você pensa da obra, por exemplo: "bom como introdução, fraco em dados recentes". Essa frase guia toda a análise.
- Escreva o resumo com as suas palavras. Use paráfrase, em terceira pessoa ("o autor defende", "segundo Andrade"). Mantenha-o em até 40% do texto.
- Escreva a análise. Para cada critério: afirmação, evidência da obra com a página, e a sua avaliação. Esse trio impede a opinião vazia.
- Escreva a introdução e a conclusão por último. É mais fácil abrir e fechar um texto que você já escreveu.
- Revise. Confira se toda crítica tem um exemplo, se as citações têm página, se a referência está completa e se o texto cabe no limite.
Para um livro inteiro, divida a leitura em dias e anote por capítulo.
Como começar uma resenha crítica
A abertura é onde a maioria trava. Dois jeitos que funcionam, ambos com a informação básica (obra, autor e tese):
- Direto ao ponto: "Em Aprender Fora da Sala (2022), o pesquisador Paulo Andrade defende que o desempenho escolar depende mais da rotina de estudo em casa do que do tempo de aula."
- Pelo contexto: "A pandemia ampliou o debate sobre o estudo fora da escola. É nesse cenário que Paulo Andrade publica Aprender Fora da Sala, um livro que propõe..."
Evite abrir com "Neste trabalho vou fazer uma resenha" ou com definição de dicionário.
Exemplo de resenha crítica
O exemplo usa um livro e um autor inventados, só para mostrar a forma. Os dados e as opiniões são ilustrativos.
ANDRADE, Paulo. Aprender fora da sala: rotina, foco e memória. 1. ed. São Paulo: Editora Exemplo, 2022. 184 p.
Em Aprender Fora da Sala (2022), o pesquisador Paulo Andrade defende que o desempenho escolar depende mais da rotina de estudo em casa do que do tempo passado em aula. O livro tem 184 páginas, divididas em três partes: rotina, foco e memória. Na primeira, o autor descreve como organizar horários fixos de estudo. Na segunda, trata de distrações e de como reduzi-las. Na terceira, apresenta técnicas de revisão, como testar a si mesmo e espaçar as sessões (p. 98-140).
A maior qualidade da obra é a clareza. Cada capítulo termina com um resumo de uma página e um exercício, o que torna o livro fácil de aplicar. A parte sobre memória também se destaca, porque junta cada técnica a um exemplo de estudante do ensino médio, e não a conceitos abstratos.
O ponto fraco está na base dos argumentos. Para afirmar que a rotina pesa mais do que a aula, Andrade cita um único estudo com 120 alunos de uma só escola (p. 31), e generaliza a conclusão para todo o país. O capítulo sobre foco repete, com outras palavras, a ideia do capítulo anterior, e o livro poderia ter 30 páginas a menos sem perder conteúdo. Falta ainda um diálogo com autores que defendem o papel central do professor, o que deixaria o argumento mais sólido.
Apesar dessas limitações, o livro cumpre bem o que promete: é um guia prático. Serve a estudantes do ensino médio e do primeiro ano da faculdade que querem montar uma rotina de estudo. Quem busca uma discussão teórica sobre a educação encontrará pouco material.
Repare em quatro detalhes: o resumo ocupa só um parágrafo e a crítica ocupa dois, cada crítica aponta um trecho ou uma página, o elogio e a falha aparecem lado a lado, e a conclusão diz para quem o livro serve.
Frases para a análise crítica
Para evitar o "eu acho" repetido, alguns começos úteis:
- Para elogiar: "A obra se destaca por...", "O ponto mais forte é..."
- Para criticar: "Falta ao texto...", "O argumento perde força quando..."
- Para comparar: "Diferentemente de..., o autor...", "Em diálogo com..."
- Para concluir: "Em síntese...", "Recomenda-se a leitura para..."
Use cada uma com um trecho ou dado da obra. A frase sozinha não sustenta a crítica.
Quantas páginas deve ter uma resenha crítica
Não existe medida única. Como referência, no ensino médio uma resenha costuma ter uma página, e na graduação, de duas a cinco. Se o professor deu um limite, ele vale mais do que qualquer regra geral.
Tipos de resenha
- Resenha descritiva: apresenta e resume a obra, sem avaliá-la. É a mais próxima do resumo.
- Resenha crítica: descreve e avalia, a que este guia ensina.
- Resenha temática: reúne duas ou mais obras sobre o mesmo assunto e as compara.
Se o enunciado diz só "resenha", pergunte ao professor qual tipo ele espera.
Erros que tiram nota
- Entregar um resumo com uma frase de opinião no fim. A análise precisa ter corpo.
- Criticar sem exemplo. Toda crítica deve apontar um trecho, uma página ou um dado.
- Criticar o que a obra não pretendia fazer. Avalie o livro pelo que ele se propõe a ser.
- Julgar o autor, e não o texto.
- Esquecer a referência completa ou as páginas das citações.
- Ultrapassar o limite de páginas com um resumo comprido.
Onde o StudyPDF entra (e onde não)
O StudyPDF não escreve a sua resenha e não faz a crítica por você. A crítica é a parte que o professor quer ver, e ela só funciona se vier da sua leitura. Ele também não monta a referência no padrão da ABNT.
Onde ele ajuda é na leitura. Você envia o artigo ou o capítulo, e o StudyPDF gera um resumo em que cada ponto cita a página de onde saiu. Isso funciona como um mapa: você vê onde estão a tese e os argumentos, confere se entendeu e vai direto ao trecho certo para sustentar a sua crítica. Se ficar uma dúvida sobre uma passagem, dá para perguntar ao Bo, o tutor do curso, e a resposta vem com a página citada para você conferir no original.
Se a obra também cai em prova, o mesmo material vira flashcards e quizzes. O plano grátis cobre cerca de 4 materiais por semana. Os detalhes estão em preços.
Para treinar a argumentação, veja a estrutura da redação do ENEM. Se a dificuldade é entender o texto antes de avaliá-lo, leia como melhorar a interpretação de texto.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre resumo e resenha crítica?
O resumo condensa o que a obra diz, sem opinião. A resenha crítica inclui um resumo, mas acrescenta uma avaliação com argumentos: pontos fortes, fraquezas e para quem a obra serve.
Como começar uma resenha crítica?
Abra com a obra, o autor e a tese em uma ou duas frases, ou com o contexto que levou o autor a escrevê-la. Evite começar com "Este trabalho tem como objetivo" ou com uma definição de dicionário.
Pode usar a primeira pessoa na resenha crítica?
Depende da instituição. Em textos acadêmicos, a terceira pessoa é a mais aceita ("percebe-se", "a obra falha em"). Para a opinião, muitos professores aceitam construções como "a meu ver" em pequena dose. Na dúvida, pergunte.
Quantas páginas deve ter uma resenha crítica?
No ensino médio, em geral uma página, e na graduação de duas a cinco. O limite do professor sempre vale mais.
Posso fazer resenha crítica de um filme ou de um artigo científico?
Sim. A estrutura é a mesma: identificação (ficha técnica no caso do filme), resumo, análise e conclusão. Em artigo científico, avalie também o método, a amostra e se as conclusões seguem dos dados.
