A redação do ENEM é um texto dissertativo-argumentativo de 8 a 30 linhas, e a estrutura que mais funciona tem 4 parágrafos: uma introdução com a tese, dois parágrafos de desenvolvimento, cada um com um argumento e um repertório, e uma conclusão com a proposta de intervenção completa. A nota vai de 0 a 1.000, somando cinco competências de até 200 pontos cada.
Este guia mostra o que entra em cada parágrafo, quantas linhas usar, como cada parte conversa com as competências e como montar um banco de repertórios que você consegue lembrar na hora da prova. Em 2026, a redação cai no primeiro dia do exame, 8 de novembro, junto com Linguagens e Ciências Humanas.
Antes dos detalhes, o mapa completo. Use como gabarito na hora de planejar o texto.
| Parágrafo | Linhas | O que precisa ter | Competência que mais pesa |
|---|
| Introdução | 5 a 7 | Contexto com repertório, apresentação do tema, tese, os dois argumentos anunciados | C2 e C3 |
| Desenvolvimento 1 | 8 a 9 | Tópico frasal, repertório, explicação, ligação com a tese | C2, C3 e C4 |
| Desenvolvimento 2 | 8 a 9 | Mesma lógica, com o segundo argumento e outro repertório | C2, C3 e C4 |
| Conclusão | 6 a 7 | Retomada da tese e proposta de intervenção com 5 elementos | C5 |
Somando, você fica entre 27 e 30 linhas. Isso não é regra do Inep, e um texto de 25 linhas bem resolvido pode tirar nota alta. Mas usar quase todo o espaço ajuda a desenvolver os argumentos sem pressa.
Também dá para escrever com três parágrafos de desenvolvimento. O problema é que, com 30 linhas, cada argumento fica raso. Para a maioria dos candidatos, dois desenvolvimentos bem explicados rendem mais do que três apressados.
Cada redação é lida por dois avaliadores, que dão uma nota de 0 a 200 em cada competência, em intervalos de 40 pontos. Se as notas totais dos dois diferem em mais de 100 pontos, ou se diferem em mais de 80 pontos em qualquer competência, um terceiro avaliador corrige o texto.
| Competência | O que avalia | Onde aparece no texto |
|---|
| C1 | Domínio da escrita formal da língua portuguesa | O texto inteiro |
| C2 | Compreender a proposta, desenvolver o tema com conhecimentos de várias áreas, dentro do tipo dissertativo-argumentativo | Introdução e desenvolvimentos |
| C3 | Selecionar, organizar e interpretar informações e argumentos em defesa de um ponto de vista | A tese e a lógica entre os parágrafos |
| C4 | Mecanismos linguísticos da argumentação (coesão) | Conectivos dentro e entre parágrafos |
| C5 | Proposta de intervenção que respeite os direitos humanos | Conclusão |
O ponto que muita gente esquece: a estrutura não é uma competência separada, mas ela sustenta quatro das cinco. Uma tese clara melhora a C3. Conectivos entre os parágrafos melhoram a C4. Uma conclusão com os cinco elementos é o caminho para os 200 da C5.
Introdução: contexto, tema e tese
A introdução tem uma função só: mostrar ao avaliador que você entendeu o tema e qual é a sua posição. Em 5 a 7 linhas, ela costuma ter três movimentos.
1. Contextualização com repertório
Comece com uma referência que abre o assunto: um fato histórico, um artigo da Constituição, um dado de órgão oficial, um conceito de um autor, uma obra. Esse é o primeiro repertório do texto. Ele precisa ter ligação direta com o tema, não com o assunto geral.
2. Apresentação do problema
Em uma frase, ligue o repertório ao recorte exato do tema. Se o tema fala de desafios, fale de desafios. Se fala de perspectivas, fale de perspectivas. Fugir do recorte é o caminho mais curto para perder pontos na C2.
3. Tese e anúncio dos argumentos
Termine com a sua posição e os dois motivos que vão aparecer nos desenvolvimentos. Exemplo de estrutura: "Esse cenário decorre de X e de Y". Pronto, o avaliador já sabe o que vem a seguir, e você já tem o roteiro do texto.
Cada parágrafo de desenvolvimento defende um dos dois motivos anunciados na introdução. A estrutura interna se repete nos dois:
- Tópico frasal: a primeira frase diz qual é o argumento do parágrafo.
- Repertório: uma referência que sustenta o argumento.
- Explicação: duas ou três frases mostrando como o repertório prova o que você disse. É aqui que a maioria perde ponto, porque cita e não explica.
- Fechamento: uma frase que volta para a tese e prepara o próximo parágrafo.
Comece o segundo desenvolvimento com um conectivo que mostre adição ou contraste, como "Além disso", "Somado a isso" ou "Por outro lado". Varie os conectivos ao longo do texto. Repetir "além disso" três vezes pesa contra na C4.
Repertório legitimado, pertinente e produtivo
Na grade da C2, o repertório que leva à nota máxima costuma ser descrito com três palavras:
- Legitimado: vem de uma área do conhecimento reconhecida, como lei, ciência, história, filosofia ou um dado oficial.
- Pertinente: tem relação com o tema daquele ano.
- Produtivo: é usado no argumento, não só citado. Se você apagar o repertório e o parágrafo continuar igual, ele não foi produtivo.
Citar um filósofo famoso sem ligação real com o tema é o erro clássico. Um artigo da Constituição bem explicado vale mais do que uma frase de efeito decorada.
A conclusão retoma a tese em uma frase e apresenta a proposta de intervenção. A leitura mais comum da grade da C5 é que uma proposta completa tem cinco elementos:
| Elemento | Pergunta que responde | Exemplo |
|---|
| Agente | Quem vai agir? | O Ministério da Saúde |
| Ação | O que vai ser feito? | ampliar programas de cuidado domiciliar |
| Meio ou modo | Como? | por meio de parcerias com as prefeituras |
| Efeito ou finalidade | Para quê? | a fim de garantir atendimento contínuo |
| Detalhamento | Uma informação a mais sobre um dos elementos | com equipes de saúde da família treinadas para esse público |
Duas regras práticas. Primeiro, a proposta precisa ter ligação com os problemas que você discutiu nos desenvolvimentos, e não ser uma solução genérica que serviria para qualquer tema. Segundo, ela precisa respeitar os direitos humanos. De acordo com a cartilha do participante, propostas que desrespeitam os direitos humanos, por exemplo incitando violência, recebem nota zero na C5.
Você pode escrever uma proposta para cada problema discutido, mas uma proposta completa já basta. Uma proposta com os cinco elementos bem amarrados é melhor do que duas pela metade.
Além das notas por competência, o edital prevê situações que levam a redação inteira à nota zero. As principais:
- Fuga total ao tema.
- Não obedecer ao tipo dissertativo-argumentativo, por exemplo escrevendo uma narrativa ou um poema.
- Texto com até 7 linhas.
- Folha de redação em branco, mesmo com texto no rascunho.
- Desrespeito à seriedade do exame, como palavrões, desenhos ou partes escritas de propósito sem relação com o texto.
Outro ponto: trechos copiados dos textos motivadores não contam. Se você copia três linhas da coletânea, elas são desconsideradas, e um texto curto pode acabar abaixo do mínimo.
Um exemplo de projeto de texto
Para ver a estrutura funcionando, veja um projeto de texto (o esqueleto antes de escrever) com o tema do ENEM 2025, "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira".
- Introdução: o Estatuto da Pessoa Idosa garante direitos à população com 60 anos ou mais, mas na prática esses direitos não chegam a todos. Tese: as perspectivas de um envelhecimento digno esbarram na falta de estrutura de cuidado e no preconceito etário.
- Desenvolvimento 1: falta de estrutura de cuidado. Repertório: o artigo 6º da Constituição, que lista saúde e previdência social entre os direitos sociais. Explicação: com a população envelhecendo, a demanda por cuidado cresce mais rápido do que a oferta pública, e o peso recai sobre as famílias.
- Desenvolvimento 2: preconceito etário. Repertório: um conceito da sociologia ou um dado oficial sobre idosos no mercado de trabalho. Explicação: a ideia de que a pessoa idosa é improdutiva afasta esse grupo do trabalho e da vida social.
- Conclusão: o Ministério da Saúde (agente) deve ampliar o cuidado domiciliar (ação) por meio de parcerias com as prefeituras (meio), com equipes treinadas para esse público (detalhamento), a fim de garantir um envelhecimento com autonomia (finalidade).
Montar o projeto leva de 10 a 15 minutos e evita o pior cenário: descobrir no terceiro parágrafo que você não tem o segundo argumento.
O repertório não se improvisa no dia. Ele vem de uma lista curta que você revisou várias vezes. Um método que funciona:
- Liste os eixos que mais aparecem nas provas: educação, saúde, trabalho, tecnologia, meio ambiente, cultura, cidadania e grupos vulneráveis. Os temas recentes confirmam o padrão: 2023 tratou do trabalho de cuidado feito pela mulher, 2024 da herança africana no Brasil e 2025 do envelhecimento.
- Para cada eixo, guarde de 2 a 3 repertórios que você entende de verdade: um artigo de lei, um conceito de autor, um fato histórico ou um dado oficial.
- Escreva para cada repertório uma frase sobre como usá-lo em um argumento. Isso é o que transforma citação em repertório produtivo.
- Transforme a lista em flashcards bem feitos. Frente: "Constituição Federal, art. 6º". Verso: os direitos sociais que ele lista e um exemplo de uso. Revise com repetição espaçada até sair de memória.
- Treine a recuperação, não a releitura. Tente lembrar o repertório antes de virar o card. Esse é o princípio da revisão ativa, e ele fixa muito mais do que ler a lista de novo.
Vinte repertórios bem dominados cobrem quase qualquer tema. Cem frases decoradas pela metade não cobrem nenhum.
- Escreva uma redação completa por semana, com tempo marcado. Na prova, a redação divide o primeiro dia com 90 questões, então treine em até 1 hora e 15 minutos.
- Peça correção por competência a um professor, cursinho ou plataforma de correção. Escrever sem retorno ajuda pouco.
- Entre uma redação e outra, faça só projetos de texto. Três projetos levam o mesmo tempo que uma redação e treinam a parte mais difícil: achar tese e argumentos.
- Guarde um caderno com seus erros por competência e releia antes de cada nova redação.
Se você ainda está organizando a preparação para a prova inteira, o guia como estudar para o ENEM mostra como dividir a semana entre as quatro áreas e a redação.
O StudyPDF não corrige redação e não dá nota por competência. Para isso, procure um professor ou uma plataforma de correção.
Onde ele ajuda é na parte de estudo que sustenta a redação. Você envia seus resumos de Sociologia, Filosofia e História, os slides do cursinho ou uma foto da sua lista de repertórios, e o StudyPDF separa o material em tópicos e conceitos. A partir daí você cria flashcards com os seus repertórios ou um quiz sobre as competências, e cada item mostra de onde veio no seu material. O Bo, o tutor da plataforma, responde dúvidas com base no seu próprio material. No plano de estudos, você coloca a data da prova e recebe sessões com data até 8 de novembro, com os tópicos em que você mais erra aparecendo antes.
O plano grátis dá para cerca de 4 materiais por semana. Os detalhes estão em preços.
Quantos parágrafos deve ter a redação do ENEM?
O Inep não define um número. O modelo mais usado tem 4 parágrafos: introdução, dois desenvolvimentos e conclusão. Ele cabe bem em 30 linhas e permite explicar cada argumento com calma.
Qual o mínimo de linhas da redação do ENEM?
Um texto com até 7 linhas recebe nota zero, então o mínimo na prática é 8 linhas. O máximo é 30. Na prática, quem tira nota alta costuma usar entre 25 e 30.
A redação do ENEM precisa de título?
Não. Segundo a cartilha do participante, o título é opcional e não é avaliado em nenhuma competência, mas conta como linha escrita dentro das 30. Se você colocar um, evite destaques e marcas que possam parecer identificação.
Posso usar a primeira pessoa na redação do ENEM?
O mais seguro é escrever de forma impessoal, em terceira pessoa. A primeira pessoa não zera a redação, mas tende a deixar o texto com cara de opinião pessoal, e o tipo dissertativo-argumentativo pede argumentos.
Quais são os 5 elementos da proposta de intervenção?
Agente, ação, meio ou modo, efeito ou finalidade e detalhamento. Com os cinco presentes e ligados aos problemas do texto, você tem o caminho para os 200 pontos da competência 5.