Para fazer um fichamento, leia o texto uma vez inteiro sem anotar, depois releia marcando as ideias centrais e os trechos que você vai usar. Abra a ficha com um cabeçalho e a referência completa da obra no padrão da ABNT. Em seguida registre o conteúdo no tipo pedido pelo professor: um resumo com as suas palavras, citações literais entre aspas com o número da página, ou um panorama comentado da obra. Feche com um comentário seu e de 3 a 5 palavras-chave.
Abaixo você encontra os três tipos de fichamento lado a lado, o passo a passo completo, como montar o cabeçalho e a referência, um exemplo pronto e um modelo simples para copiar no Word.
Fichamento é um registro organizado do que você leu: quem escreveu, onde foi publicado, quais são as ideias principais e em que página cada uma está. O nome vem das antigas fichas de papel, mas hoje a maioria dos fichamentos é feita no Word ou no Google Docs.
Ele serve para duas coisas. Na faculdade, é um trabalho avaliado por si só, muito comum nos primeiros semestres. Na pesquisa, é a base do TCC e de artigos: quando você for escrever, já tem as citações com a página certa e não precisa reler o livro inteiro para achar uma frase.
Antes de começar, confirme qual tipo o professor quer. Cada um pede um texto diferente.
| Tipo | O que vai na ficha | Quando usar |
|---|
| Fichamento de resumo (ou de conteúdo) | As ideias principais com as suas palavras, na ordem do texto | Para entender e lembrar a obra, e quando o professor pede síntese |
| Fichamento de citação | Trechos literais entre aspas, cada um com a página | Para TCC, artigos e trabalhos em que você vai citar o autor |
| Fichamento bibliográfico | Uma descrição comentada de cada parte da obra | Para mapear um livro inteiro ou comparar várias obras |
Fichamento de resumo
É o mais pedido. Você condensa o texto com as suas palavras, seguindo a lógica do autor: tese, argumentos, exemplos e conclusão. Não é cópia com algumas palavras trocadas. Se você não consegue explicar a ideia sem olhar o texto, ainda não entendeu o trecho. Saber parafrasear é a habilidade central aqui, e o guia como fazer um resumo mostra a técnica em detalhe.
Fichamento de citação
Você transcreve os trechos mais importantes exatamente como estão no original, entre aspas, e anota a página de cada um. Pode suprimir partes com [...], mas nunca mudar palavras. É o tipo mais útil para quem vai escrever depois, porque cada citação já sai pronta para entrar no trabalho.
Fichamento bibliográfico
Aqui você descreve a obra parte por parte: o que cada capítulo ou seção trata, qual é o argumento e como ele se liga ao resto. É o tipo mais próximo de uma resenha curta, só que sem o foco na sua opinião. Funciona bem para livros longos, em que um resumo único ficaria raso.
Muitos professores aceitam ou pedem um fichamento misto: citações literais intercaladas com resumo e comentário. Se a orientação não deixar claro, pergunte antes de começar.
- Separe o texto e a referência. Antes de ler, anote autor, título, editora ou revista, cidade, ano e páginas. Procurar esses dados depois toma tempo.
- Faça uma leitura completa sem anotar. O objetivo é entender o tema, a tese do autor e a estrutura do texto. Em um artigo, comece pelo resumo e pela conclusão.
- Releia com o lápis na mão. Agora sim marque as ideias centrais, os conceitos e os trechos que merecem citação. Grife pouco: se tudo está marcado, nada está. O verbete grifar explica por que menos é mais.
- Anote a página de tudo. Cada ideia e cada citação precisa da página. Esse é o detalhe que separa um fichamento útil de um amontoado de anotações.
- Escreva o corpo no tipo pedido. Resumo com as suas palavras, citações entre aspas ou panorama por capítulo. Siga a ordem do texto, não a ordem em que as ideias chamaram sua atenção.
- Acrescente o seu comentário. Uma ou duas frases por bloco: concorda, discorda, como a ideia se liga à disciplina ou ao seu tema de pesquisa. Marque esse trecho como comentário para não confundir com a voz do autor.
- Feche com palavras-chave e revise. Escolha de 3 a 5 termos que resumem o texto e confira se todas as aspas têm página e se a referência está completa.
Para um artigo de 15 a 20 páginas, reserve de uma hora e meia a duas horas na primeira vez. Com prática, o tempo cai bastante, porque a segunda leitura fica mais rápida.
Não existe um único modelo oficial de fichamento. O que a ABNT padroniza são as partes que aparecem nele: a referência, pela NBR 6023, e as citações, pela NBR 10520. Muitas faculdades têm um manual próprio de trabalhos acadêmicos, e ele vale mais do que qualquer modelo da internet. Use o da sua instituição quando existir.
A estrutura mais aceita tem cinco partes:
- Cabeçalho: nome da instituição, curso, disciplina, professor, seu nome e data.
- Referência da obra fichada, no padrão da NBR 6023.
- Corpo: o resumo, as citações ou o panorama, sempre com página.
- Comentário pessoal, quando o professor pede.
- Palavras-chave.
O formato básico da referência:
- Livro: SOBRENOME, Nome. Título: subtítulo. Edição. Cidade: Editora, ano.
- Capítulo de livro: SOBRENOME, Nome. Título do capítulo. In: SOBRENOME, Nome (org.). Título do livro. Cidade: Editora, ano. p. inicial-final.
- Artigo de revista: SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Nome da Revista, cidade, v., n., p. inicial-final, ano.
O título do livro ou da revista vai em destaque, normalmente em negrito ou itálico, sempre do mesmo jeito em todo o trabalho.
Para as citações, as regras que mais caem na correção:
- Citação direta curta, de até três linhas, fica no próprio parágrafo, entre aspas duplas, com a página.
- Citação direta longa, com mais de três linhas, vai em parágrafo próprio, com recuo da margem esquerda (a versão de 2023 da norma recomenda 4 cm), letra menor, espaçamento simples e sem aspas.
- Trechos cortados no meio da citação são marcados com [...].
- Citação indireta, quando você reescreve a ideia, não leva aspas, mas continua indicando o autor e o ano.
O exemplo abaixo usa uma autora e um artigo inventados, só para mostrar a forma. O conteúdo das citações também é ilustrativo.
Cabeçalho: Universidade Exemplo. Curso de Pedagogia. Disciplina: Leitura e Produção de Textos. Prof.ª Maria Souza. Aluno: João Lima. 15 out. 2026.
Referência: MORAES, Clara. Leitura em telas e compreensão de textos longos. Revista Exemplo de Educação, São Paulo, v. 12, n. 3, p. 10-28, 2021.
Versão de citação
| Página | Citação | Comentário |
|---|
| p. 12 | "A leitura em telas favorece a busca rápida, mas tende a encurtar o tempo dedicado a cada parágrafo." | Tese central do artigo. Serve para a introdução do meu trabalho. |
| p. 17 | "Os estudantes que leram no papel lembraram mais da ordem dos argumentos [...] do que os que leram na tela." | Dado do estudo. Conferir o tamanho da amostra antes de citar. |
| p. 25 | "O suporte importa menos do que o propósito da leitura." | Conclusão. Contraponto à ideia de que a tela é sempre pior. |
Versão de resumo
Moraes (2021) defende que ler em telas estimula a busca rápida e reduz a atenção a cada parágrafo (p. 12). Para sustentar a tese, a autora compara estudantes que leram o mesmo texto no papel e na tela e mostra que o primeiro grupo recordou melhor a ordem dos argumentos (p. 17). Na conclusão, ela relativiza o resultado: o objetivo da leitura pesa mais do que o suporte (p. 25).
Comentário: o artigo ajuda a discutir hábitos de leitura dos alunos, mas não trata de leitura em voz alta, que é o foco da minha pesquisa.
Palavras-chave: leitura digital; compreensão de texto; atenção; suporte de leitura.
Repare em três detalhes: toda ideia tem página, a voz da autora e o comentário do aluno estão separados, e o resumo tem bem menos palavras do que o original.
O jeito mais simples de montar no Word ou no Google Docs:
- Escreva o cabeçalho e a referência no topo, em espaçamento simples.
- Insira uma tabela com três colunas: Página, Citação ou ideia, Comentário.
- Crie uma linha por trecho. Na hora de escrever o trabalho, você copia a citação já com a página.
- Termine com uma linha para as palavras-chave.
Se o professor pedir texto corrido, mantenha a mesma lógica sem a tabela: um parágrafo por ideia, com a página entre parênteses no fim. Se preferir uma base pronta, o modelo de anotações funciona como rascunho para a segunda leitura.
Escrever à mão ajuda a memorizar, porque obriga você a escolher o que vale anotar. Para estudar para uma prova, um fichamento manuscrito de resumo funciona muito bem. Para pesquisa, o digital ganha: dá para buscar palavras, copiar citações sem erro de digitação e reaproveitar a mesma ficha em vários trabalhos.
Uma combinação que funciona: anote à mão durante a segunda leitura e passe a limpo no computador já no formato final. A passagem a limpo é uma revisão a mais.
- Copiar o texto e chamar de resumo. Se as frases são do autor, são citação e precisam de aspas.
- Esquecer a página. Sem página, a citação não pode entrar no trabalho.
- Misturar a sua opinião com a do autor sem marcar quem está falando.
- Fazer a referência no fim, com pressa, e deixar dados de fora.
- Fichar tudo. Um fichamento do tamanho do texto original não ajuda ninguém.
- Fazer só uma leitura. Quem ficha na primeira leitura costuma marcar trechos que o próprio autor relativiza mais adiante.
O StudyPDF não faz o seu fichamento no formato da ABNT e não monta o cabeçalho nem a referência. Também não substitui a leitura: o professor percebe quando a ficha foi feita sem entender o texto, e para um fichamento de citação o texto precisa ser literal, conferido no original.
Onde ele ajuda é na segunda leitura e no estudo depois. Você envia o artigo, o capítulo escaneado, os slides da aula ou fotos das suas anotações, e o StudyPDF faz um resumo em que cada ponto cita a página de onde saiu. Isso serve de mapa: você vê rapidamente onde estão as ideias centrais e vai direto ao trecho certo para copiar a citação exata. O resumo exporta para o Word, se você quiser editar a partir dele.
Se o texto cai em prova, o mesmo material vira flashcards com os conceitos principais, e cada resposta alimenta um mapa do que você já domina. O plano grátis dá para cerca de 4 materiais por semana. Os detalhes estão em preços.
Qual a diferença entre fichamento e resumo?
O resumo condensa o texto com as suas palavras e costuma ser um texto corrido. O fichamento é um registro organizado da obra: tem referência, página de cada ideia e pode trazer citações literais e comentários seus. Um fichamento de resumo inclui um resumo, mas vai além dele.
Quais são os 3 tipos de fichamento?
Fichamento de resumo (ou de conteúdo), com as ideias principais nas suas palavras; fichamento de citação, com trechos literais entre aspas e a página; e fichamento bibliográfico, com uma descrição comentada de cada parte da obra.
Fichamento precisa seguir a ABNT?
Na maioria das faculdades, sim, pelo menos na referência (NBR 6023) e nas citações (NBR 10520). O formato geral da ficha varia por instituição e por professor, então confira o manual da sua faculdade ou a orientação da disciplina.
Quantas páginas deve ter um fichamento?
Não há regra fixa. Como referência, um fichamento de resumo costuma ter de um quinto a um terço do tamanho do texto original. Se o professor definir um limite, ele vale mais do que qualquer regra geral.
Pode usar a primeira pessoa no comentário?
No comentário pessoal, a maioria dos professores aceita, porque é a parte em que você se posiciona. No resumo e no panorama da obra, prefira a terceira pessoa e atribua as ideias ao autor ("a autora defende", "segundo Moraes").