Para estudar para concurso, escolha uma área e um concurso-alvo, transforme o edital (ou o último publicado) em um edital verticalizado, distribua as matérias em um ciclo de estudos pelo peso e pela sua dificuldade, estude a teoria em um único material base e feche cada assunto com questões da banca. Revise no dia seguinte, depois de uma semana e depois de um mês. Quem segue esse método por alguns meses chega ao edital com a base pronta.
O resto deste guia mostra cada passo com exemplos práticos: como montar o edital verticalizado, como calcular as horas do ciclo, quantas questões fazer e o que muda depois que o edital sai.
O erro mais comum de quem começa é estudar para tudo que abre. Cada concurso tem matérias, banca e nível de cobrança diferentes, e quem pula de edital em edital recomeça do zero toda vez.
Escolha uma área de carreira: tribunais, fiscal, policial, bancária, administrativa, controle ou saúde. Dentro dela, as matérias se repetem muito. Português, Direito Constitucional e Direito Administrativo, por exemplo, aparecem em quase todos os editais de nível superior. Assim, cada hora estudada serve para vários concursos da mesma área.
Depois, escolha um concurso-alvo, de preferência com edital previsto ou publicado recentemente. Ele vai guiar o que você estuda primeiro.
O edital verticalizado é o conteúdo programático do edital transformado em uma lista de controle. Em vez de um texto corrido, cada matéria vira uma tabela com os assuntos um embaixo do outro e colunas para você marcar o andamento.
| Assunto | Teoria | Questões | Acertos | Revisão 1 | Revisão 2 |
|---|
| Direito Constitucional: direitos e garantias fundamentais | ok | 40 | 72% | ok | |
| Direito Constitucional: organização do Estado | ok | 25 | 58% | | |
| Direito Constitucional: Poder Legislativo | | | | | |
Para montar o seu:
- Pegue o edital mais recente do concurso-alvo. Se ainda não saiu, use o último publicado, porque o conteúdo costuma mudar pouco.
- Copie cada matéria e quebre o texto em assuntos, um por linha.
- Anote o peso de cada matéria e o número de questões.
- Marque os assuntos que mais caem nas provas anteriores da banca. Plataformas de questões mostram isso por filtro de assunto.
O edital verticalizado responde à pergunta que trava muita gente: o que falta estudar. Ele funciona como um plano da prova, só que feito por você.
Um cronograma fixo diz "segunda é Português, terça é Constitucional". Na primeira semana em que você perde um dia, o cronograma inteiro desanda.
O ciclo de estudos resolve isso. Você define uma sequência de matérias com um número de horas para cada uma e segue a ordem, não o dia da semana. Perdeu um dia, continua de onde parou.
Como calcular as horas do ciclo
Dê a cada matéria uma nota de peso no edital (1 a 3) e uma nota para a sua dificuldade (1 a 3). Multiplique e use o resultado como proporção das horas.
| Matéria | Peso | Dificuldade | Pontos | Horas no ciclo de 20 h |
|---|
| Português | 3 | 2 | 6 | 4,5 h |
| Direito Constitucional | 3 | 2 | 6 | 4,5 h |
| Direito Administrativo | 3 | 3 | 9 | 6,5 h |
| Raciocínio Lógico | 2 | 3 | 6 | 4,5 h |
| Total | | | 27 | 20 h |
Com 3 horas líquidas por dia, esse ciclo fecha em cerca de uma semana. Horas líquidas são as horas de estudo de verdade, sem celular, sem pausa longa e sem tempo procurando material. Medir horas líquidas é mais honesto do que contar o tempo sentado à mesa.
Se você prefere ver tudo em datas, o guia como montar um cronograma de estudo mostra a versão em calendário. Muita gente usa os dois: o ciclo para a ordem das matérias e um calendário para as datas das revisões e dos simulados.
Escolha um material base por matéria: uma apostila de cursinho, um livro ou um curso em vídeo. Juntar cinco apostilas diferentes do mesmo assunto parece produtivo, mas você passa o tempo comparando fontes em vez de aprender.
Para cada sessão de teoria:
- Leia ou assista um assunto do edital verticalizado.
- Faça um resumo curto ou um mapa com o que caiu nas questões, não com tudo o que existe.
- Para matérias de Direito, leia também a lei seca do assunto. Muitas questões cobram o texto literal da lei.
- Feche a sessão com questões do mesmo assunto, no mesmo dia.
Teoria sem questão é o motivo número um de quem estuda muito e não passa. Você acha que sabe até ver como a banca pergunta.
Questões são o centro da preparação, não um extra no fim. Elas mostram o que você não sabe e como a banca cobra cada assunto.
Quantas questões fazer
Um ponto de partida realista é de 20 a 30 questões por matéria estudada no dia, ou cerca de 50 a 100 por dia somando tudo. Mais importante do que o número é ler o comentário de cada questão errada e anotar o motivo do erro: faltou teoria, você leu rápido ou caiu numa pegadinha.
Conheça o estilo da banca
Cada banca tem um jeito de perguntar. No Cebraspe, por exemplo, as provas costumam usar itens de certo ou errado, e em muitos editais uma resposta errada anula uma certa, enquanto a resposta em branco não soma nem tira. A regra exata muda de edital para edital, então confira no seu. Outras bancas, como FGV, FCC, Vunesp e Cesgranrio, usam múltipla escolha, cada uma com seu estilo de enunciado.
Por isso, filtre as questões pela banca do seu concurso-alvo. Questão de outra banca serve para treinar conteúdo, mas não para treinar a prova.
Taxa de acerto como bússola
Anote a taxa de acerto por assunto no edital verticalizado. Abaixo de 60%, volte para a teoria. Entre 60% e 80%, mais questões. Acima de 80%, só revisão. Assim o seu tempo vai para onde a nota está escapando.
Sem revisão, você esquece a maior parte do que estudou em poucas semanas. Um esquema simples, baseado em repetição espaçada:
- Revisão 1: no dia seguinte, 10 a 15 minutos com o seu resumo e as questões que você errou.
- Revisão 2: depois de 7 dias, com um bloco curto de questões novas do assunto.
- Revisão 3: depois de 30 dias, de novo com questões.
Revise tentando lembrar antes de olhar o resumo. Esse é o princípio da prática de recuperação, e é por isso que flashcards e questões funcionam melhor do que reler. Para assuntos de decoreba, como prazos, competências e artigos de lei, flashcards resolvem bem. O guia como revisar para uma prova tem mais formatos de revisão.
Antes do edital, o foco é base: teoria completa, questões e revisões das matérias que mais se repetem na sua área. É a fase mais longa e a que mais diferencia os aprovados.
Quando o edital sai, o jogo muda:
- Compare o edital novo com o seu edital verticalizado e acrescente os assuntos que entraram.
- Ajuste o ciclo para os pesos do edital novo.
- Corte assuntos que nunca caem e que valem pouco. Nessa fase, não dá para estudar tudo.
- Faça provas anteriores completas com tempo, pelo menos uma por semana nas últimas semanas.
- Nas duas últimas semanas, só revisão e simulado. Assunto novo nessa fase rende pouco.
O tempo entre edital e prova costuma ser curto, muitas vezes de dois a três meses. Quem começa só no edital tenta fazer em semanas o que os outros fizeram em meses.
- Trocar de concurso-alvo toda vez que sai um edital novo de outra área.
- Gastar semanas montando o planejamento perfeito em vez de começar.
- Acumular material: três cursos, cinco apostilas, nenhum terminado.
- Fazer questões de qualquer banca, sem filtrar pela do concurso.
- Não revisar e precisar reaprender o mesmo assunto três vezes.
- Estudar muitas horas em um dia e nenhuma nos outros. Constância vale mais do que maratona.
O StudyPDF não tem banco de questões de concursos anteriores e não substitui um cursinho ou uma plataforma de questões da banca. Para treinar o estilo do Cebraspe ou da FGV, use questões reais dessas bancas.
Onde ele ajuda é no estudo do seu próprio material. Você envia a apostila, os slides do cursinho, a lei seca, fotos das suas anotações ou uma videoaula do YouTube, e o StudyPDF organiza tudo em tópicos e conceitos. A partir disso, você cria flashcards para os assuntos de decoreba, um quiz para fechar a sessão de teoria ou uma prova simulada, com tempo marcado se você quiser, e cada item cita a página ou o minuto do material de onde saiu. Cada resposta alimenta um mapa do que você domina por conceito, e os assuntos em que você mais erra aparecem primeiro.
No cronograma de estudos, você coloca a data da prova, as horas por dia e os dias em que estuda, e recebe sessões com data até a prova, com os pontos fracos repetidos mais cedo. Os flashcards exportam para o Anki, se você já revisa por lá.
O plano grátis dá para cerca de 4 materiais por semana. Os detalhes estão em preços.
Quanto tempo leva para passar em um concurso?
Depende do concurso, da concorrência e da sua base. Para concursos mais disputados, é comum ver aprovados que estudaram de forma constante por um a dois anos. O que mais pesa é a constância, não o número de horas de um dia isolado.
Estudar 3 horas por dia é suficiente para concurso?
Para muitos concursos, sim, se forem 3 horas líquidas, todos os dias, com questões e revisões. Quem trabalha em tempo integral costuma passar com essa carga, só que leva mais meses do que quem estuda 6 ou 8 horas.
Dá para estudar para concurso sozinho?
Dá. Muita gente passa estudando por conta própria com um material base, uma plataforma de questões e um bom planejamento. O que você precisa garantir sozinho é a disciplina e a revisão, que um cursinho às vezes ajuda a manter.
Devo começar antes de o edital sair?
Sim. O período entre edital e prova costuma ser curto demais para aprender tudo do zero. Começar antes, pelo último edital, é o que permite chegar à fase pós-edital só revisando e ajustando.
Como fazer um ciclo de estudos para concurso?
Liste as matérias do edital, dê a cada uma uma nota de peso e uma de dificuldade, multiplique e distribua as horas na mesma proporção. Depois siga a sequência das matérias, sem amarrar a dias da semana, e recomece o ciclo quando terminar.
Qual banca usa certo ou errado?
O Cebraspe é a banca mais conhecida pelo formato certo ou errado, e em muitos editais dela uma resposta errada anula uma certa. A regra de pontuação está sempre no edital de cada concurso, então confira antes de decidir se vale arriscar um item.