Memória flash
Memória flash (em inglês flashbulb memory) é uma lembrança viva e detalhada de onde você estava e do que fazia quando recebeu uma notícia surpreendente e emocionante. Roger Brown e James Kulik deram esse nome em 1977. Parece uma foto, mas os estudos mostram que essas lembranças mudam com o tempo quase tanto quanto as comuns. O que continua alto é a sua confiança nelas.
Essas lembranças são sobre o momento em que você soube da notícia, não sobre o acontecimento em si: o cômodo, quem te contou, o que você tinha na mão. Brown e Kulik achavam que surpresa e importância pessoal ativavam um mecanismo especial que gravava a cena. A emoção de fato faz a lembrança parecer mais nítida, e as pessoas recontam essas histórias com frequência, o que as mantém vivas.
A precisão não se sustentou. Ulric Neisser e Nicole Harsch perguntaram a estudantes, no dia seguinte à explosão do Challenger em 1986, como tinham ficado sabendo, e repetiram a pergunta cerca de dois anos e meio depois. Muitos relatos tinham mudado, alguns por completo, e as pessoas continuavam certas. Depois do 11 de Setembro, Jennifer Talarico e David Rubin (2003) avaliaram 54 estudantes da Universidade Duke no dia seguinte e de novo após 7, 42 ou 224 dias. A consistência caiu tão rápido quanto a de uma lembrança comum dos mesmos dias. Só a vivacidade e a crença na própria exatidão continuaram altas.
A lição para os estudos: confiança não é exatidão. A sensação de que você sabe um capítulo funciona do mesmo jeito. Uma página que você acabou de reler parece familiar e clara, mas isso diz pouco sobre conseguir dar a resposta de cabeça no dia da prova. Teste-se e deixe o resultado, não a sensação, decidir o que você revisa.
| O que foi medido | Memória flash | Lembrança comum |
|---|---|---|
| Consistência dos detalhes ao longo do tempo | Caiu | Caiu num ritmo parecido |
| Vivacidade | Continuou alta | Caiu |
| Crença de que a lembrança é exata | Continuou alta | Caiu |
A Maya lembra com detalhes da aula sobre potencial de ação: a animação do professor, a piada sobre o sódio, onde ela sentou. Ela tem certeza de que entendeu e pula o assunto na revisão. Um quiz de 10 questões no dia seguinte mostra que ela sabe explicar a despolarização, mas confunde o que acontece na repolarização. A lembrança viva da aula não dizia nada sobre o que ela realmente sabia responder.
- 1Depois de ler, feche o material e escreva o que você lembra antes de avaliar o quanto sabe.
- 2Dê uma nota de confiança para cada resposta e depois confira. Marque cada ponto em que muita confiança encontrou uma resposta errada.
- 3Trate esses erros confiantes como prioridade. São justamente os que você nunca revisaria por conta própria.
- 4Teste-se de novo alguns dias depois, porque uma resposta certa uma vez ainda pode se desviar.
- 5Para a prova de psicologia, ligue o termo a dois fatos-chave: vívida e confiante, mas não confiável nos detalhes.