Leitura atenta (close reading)
A leitura atenta (close reading) é ler devagar, e mais de uma vez, um trecho curto para entender o que ele diz e como diz. Você fica no texto em si, nas palavras, na estrutura e nos padrões, em vez de passar os olhos atrás do enredo. Nasceu na crítica literária e serve para qualquer texto denso, de um poema a uma cláusula de contrato.
Em detalhe
A leitura atenta olha duas coisas ao mesmo tempo: o conteúdo (o que o trecho diz) e a forma (como ele diz, pela escolha de palavras, estrutura das frases, imagens, repetições e mudanças de tom). A prova de qualquer afirmação precisa vir do próprio trecho, não da biografia do autor nem do seu palpite sobre o que ele sentia.
É um método de interpretação, não uma velocidade de leitura. A maioria dos guias usa três passadas: uma para entender o sentido literal, outra para anotar os detalhes que se destacam e outra para ligar esses detalhes numa tese. Ela se distingue da leitura ativa, o hábito geral de questionar e marcar qualquer texto, e da compreensão, que só pergunta se você entendeu. A leitura atenta pergunta por que o texto foi construído assim.
Use em trechos curtos e densos: um parágrafo de um romance, uma cláusula de contrato, o passo-chave de um argumento num texto de filosofia. Ela é lenta de propósito, então não aplique a um livro-texto inteiro de 400 páginas. Escolha as páginas em que o sentido está carregado pela redação.
Três jeitos de ler um texto
| Modo | O que você faz | Para que serve |
|---|---|---|
| Passar os olhos | Percorrer títulos e primeiras linhas para pegar a ideia | Decidir o que vale ler |
| Ler para entender | Ler uma vez acompanhando o argumento | Capítulos e anotações de aula |
| Leitura atenta | Reler um trecho curto e anotar a redação | Trechos que carregam o sentido de um ensaio, de um caso ou de uma questão de prova |
Exemplo
Você recebe duas frases de um romance: "A casa estava vazia. Suas janelas vigiavam a estrada." Primeira passada: uma casa vazia ao lado de uma estrada. Segunda passada: você circula "vigiavam" e anota que janelas não vigiam, e que "estava" e "vigiavam" fazem a casa parecer viva. Terceira passada: você escreve uma tese, a de que o narrador dá à casa vazia uma ameaça silenciosa com verbos que sugerem consciência, usando as duas palavras como prova.
Como usar
- 1
Escolha um trecho curto, de um ou dois parágrafos, e leia uma vez sem marcar nada, só para pegar o sentido literal.
- 2
Leia de novo com uma caneta. Marque palavras repetidas, imagens marcantes, escolhas de palavras estranhas, mudanças de tom ou de tamanho de frase e tudo que você não entende.
- 3
Escreva uma pergunta ao lado de cada marca: por que esta palavra, por que aqui, o que muda depois desta frase?
- 4
Procure um padrão nas suas marcas e escreva-o numa frase como tese.
- 5
Confira a tese com o texto. Fique com as linhas que a apoiam e, se alguma a contradiz, mude a tese.
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Veja também
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Perguntas frequentes
Quais são os passos da leitura atenta?
Leia o trecho uma vez para pegar o sentido literal. Leia de novo e anote detalhes como palavras repetidas, imagens e mudanças de tom. Pergunte por que cada detalhe está ali. Depois ligue os detalhes numa tese e confira com o texto.
A leitura atenta é só para literatura?
Não. Ela nasceu na crítica literária, mas funciona em qualquer texto denso: uma cláusula jurídica, uma fonte histórica, um argumento filosófico ou a seção de métodos de um artigo. A habilidade é a mesma. Vá mais devagar, repare na redação e deixe o texto, e não suas suposições, dar a prova.